A tarde nublada de Londres em 1662 e a redução de 80% na população de vida selvagem da África entre 1977-2016

 

O ano era 1662. John Graunt estava entediado com o céu nublado e chuvoso de Londres. Para tentar entreter-se, resolveu saber quantos moradores havia na sua cidade. No entanto, considerou que contar todo mundo poderia entediá-lo ainda mais, sem avaliar outros percalços. Como provavelmente o fato de que muitos Ingleses não gostariam de ser contados, ou não teriam tempo, pois estariam atrasados para o 25° copo de chá do dia, além daqueles que iriam procurar saber o porquê daquela contagem e tentariam discutir quais os motivos que levam uma pessoa a fazer isso, chegando à conclusão de que tudo faz parte da falta de sentido da vida e entrariam em depressão.

Para evitar tais contratempos, ele inventou uma metodologia para estimar o número de moradores sem precisar contar todos. A ideia era selecionar alguns moradores, marcá-los e, depois de algum tempo, fazer a mesma coisa, mas nesse caso anotando aqueles que foram marcados duas vezes. Chamado de Captura-Marcação-Recaptura, o método permitiu estimar tamanhos populacionais sem necessidade de contar todos os indivíduos. Quando adaptaram a técnica para a Biologia da Conservação foi uma grande revolução, isso porque os cientistas passaram a compreender o tamanho populacional de algumas espécies ao longo dos anos, verificando, por exemplo, se ela caminhava para a extinção ou não.

A técnica proposta inicialmente por John Graunt foi sendo modificada ao longo do tempo. Laplace, por exemplo, foi a primeiro a montar as primeiras fundações matemáticas do método — mas apenas 150 anos depois. Conseguiram adaptar a mesma técnica para contagens aéreas. A lógica é basicamente a mesma; no entanto, faz-se a contagem e recontagem de um avião ou helicóptero. Foi exatamente assim que Joseh Ogutu, junto com seu time no Quênia, estimou que a população de espécies da fauna local como zebra, empalas entre outros reduziram de 70-80% entre 1977 e 2016 (1).

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