Ciência: Por que divulgar?

CiênciaFonte: Nature Jobs

Todos os dias são publicados milhares de novos artigos científicos em periódicos especializados. Todos os dias, novas dissertações e teses são depositadas em bibliotecas de todo o mundo. Atualmente produzimos uma quantidade enorme de conhecimento científico, como nunca foi produzido antes.

Todos os dias utilizamos uma infinidade de produtos derivados do conhecimento científico. Quais coisas? Você pode perguntar. Celular, televisão, computador, veículos, combustível, alimentos, energia, remédios, vacinas etc. Poderia ficar o resto do dia listando, mas você já entendeu.

Vivemos em uma sociedade tecnológica-científica. Somos completamente dependentes da ciência, mas não a entendemos. Ou, alguma vezes, sentimos repulsa. Seria algo semelhante a um carro. Sabemos utilizar, mas não sabemos como funciona. Se o carro quebrar, você saberá como arrumar? A maioria, assim como eu, não.

Sabemos utilizar a ciência. Quando tenho dor, tomo um remédio analgésico. Quando quero fazer uma ligação, utilizo meu celular. Mas como essas coisas funcionam? Como chegamos nelas?

Ciência e Sociedade

É por isso que precisamos saber como a ciência funciona. E quando digo “precisamos”, refiro-me a toda a sociedade. Entender o método científico não só ajuda a pessoa a entender o mundo em que vivemos, como a torna mais crítica em relação às questões que surgem com a modernidade. Além disso, uma sociedade bem informada e crítica toma decisões melhores, individual e coletivamente.

E é aí que entra a divulgação científica. Divulgar ciência é transmitir a informação científica para um público maior. É literalmente sair dos muros das universidades e centros de pesquisa. Essa transmissão deve ser feita de forma atraente e direta. Cientistas gostam de detalhes, mas uma pessoa de fora da ciência não precisa entender todo o processo experimental necessário para chegar em um resultado. Ela precisa entender o resultado, como foi feito, e a importância disso.

Mas como podemos divulgar ciência? Existem diversas formas e excelentes exemplos. Neil DeGrasse Tyson fez um ótimo trabalho na nova versão da série Cosmos. Grandes cientistas fazem importantes contribuições para divulgação escrevendo livros, como Marcelo Gleiser e Miguel Nicolelis.

Séries de TV e livros são bons, mas limitados. Quem lerá um livro de ciência provavelmente já tem um grande interesse por ciência. Então, como alcançar pessoas que não são tão interessadas assim?

Internet

As pessoas passam a maior parte de seus dias conectados à Internet. Pelo menos, eu estou conectado o dia todo. É nessa situação que surgem os blogs, vídeos e podcasts voltados para divulgação científica.

Os blogs foram uma das primeiras formas de produção acessível de conteúdo na Internet. Qualquer pessoa poderia criar um blog tendo como custo apenas o tempo dedicado para pesquisa e escrita. Um grande exemplo do uso de blogs para divulgação científica é o ScienceBlogs Brasil, um portal de blogs de ciência.

SbBr - ScienceBlogs Brasil

Fonte: ScienceBlogs Brasil

Entretanto, com o surgimento do YouTube, os vídeos passaram a ser o formato preferido dos produtores e consumidores de conteúdo. Eles dedicam mais tempo assistindo vídeos do que lendo blogs. Sendo que a popularização das redes sociais (Facebook e Twitter, por exemplo) também ajudou na disseminação do conteúdo.

Nerdologia

Fonte: Nerdologia

Iniciativas independentes de divulgação científica viram uma oportunidade interessante de abordar assuntos científicos através de vídeos, e atualmente temos bons canais de ciência no YouTube, como o Nerdologia e o BláBláLogia.

BláBláLogia

Fonte: BláBláLogia

Podcasts

Já o último formato, os podcasts, tem características muito interessantes para divulgação. Deixei-o para o final por ser o conteúdo que produzo. Para quem não conhece podcast, essa é explicação mais direta possível: um arquivo de áudio (MP3), gravado, editado e distribuido pela Internet.

E essa é uma das vantagens do podcast. Você escuta quando e onde quiser, on demand. Além disso, diferente dos vídeos, o custo para produção de um podcast é bem menor, uma vez que não precisamos comprar câmera, microfones e luzes profissionais. Com seu laptop e um headphone bom já dá para fazer um podcast divertido e de qualidade.

O Dragões de Garagem começou desse jeito. Com o objetivo de divulgar ciência como se estivéssemos em um papo de amigos em alguma mesa de bar. Sim, nós conversávamos sobre ciência no boteco. Esse projeto foi crescendo, e atualmente temos um público grande e muito engajado. Ao ponto que hoje temos uma receita mensal bancada pelos ouvintes que reconhecem o valor do nosso trabalho e nos ajudam financeiramente a mantê-lo.

Dragões de Garagem

Iniciativas de divulgação científica na Internet são de fundamental importância para retirarmos esse conhecimento de dentro das universidades, popularizando e tornando-o algo natural. Algo que todos terão interesse.

Além disso, com um bom embasamento científico, nossa sociedade será mais crítica em todas as situações do dia-a-dia. Inclusive na política, onde os políticos terão que justificar seus projetos de forma embasada, eles terão que realmente convencer o eleitor bem informado.    

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