Clubes de Observadores de Aves: Educação e Conservação

Lista de espécies: um retrato da biodiversidade local

Foi publicado recentemente artigo contendo a lista das espécies aves de Bertioga, município litorâneo localizado na Baixada Santista (São Paulo, Brasil). Com autoria de Marcelo Bokermann e Sandra Pivelli, e intitulado “Avifauna de Bertioga – Inventários do Clube de Observação de Aves de Bertioga”, o trabalho chama a atenção para a enorme riqueza da biodiversidade local.

Entrevista

Nós convidamos um dos autores, Marcelo Bokermann, para falar um pouco sobre a importância dos clubes de observadores de aves para a Educação e a Conservação da Biodiversidade. Marcelo é biólogo, educador ambiental no Sesc São Paulo há 20 anos, e filho do lendário naturalista Werner Bokermann. E, neste bate-papo descontraído, ele conta um pouco da história por trás deste artigo.

Blog do IPÊ: Marcelo, como começou a ideia de fazer um levantamento tão extensivo da avifauna de Bertioga?

Marcelo Bokermann: A ideia surgiu no ano 2000. Nós percebemos que não havia muitos dados da avifauna local; apenas em algumas áreas isoladas. A única lista existente até então era proveniente de um estudo realizado em uma das áreas do Sesc Bertioga. Porém, o levantamento mais sistemático só foi iniciado com a criação do COAB — Clube de Observadores de Aves de Bertioga, em 2011. Só então conseguimos realizar saídas mais regulares em vários pontos do município.

Por que fazer listas de espécies

Blog: Qual é a importância de se ter uma lista da avifauna do município?

MB: Além de se ter um maior conhecimento da biodiversidade, esse dado serve de base para estudos de conservação em diversos ambientes naturais e antrópicos, pois as aves são bons indicadores ambientais. Outra vantagem de se ter a lista é a de colaborar com a divulgação da biodiversidade da região, atraindo público para o turismo ecológico de observação e fotografia da natureza, assim como servir também de conteúdo para atividades educativas.

Blog: Que curiosidades desta lista é possível destacar?

MB: Primeiro, é a riqueza da biodiversidade, que atingiu 440 espécies. E esse número não inclui espécies que já foram observadas por outros grupos e pesquisadores, principalmente as marinhas. Na lista, podemos destacar quatro espécies que são consideradas endêmicas, isto é, que têm ocorrência restrita a uma determinada área geográfica. Outras 22 espécies têm o status de quase ameaçadas; oito vulneráveis; e uma em perigo: a jacutinga, Aburria jacutinga.

Clubes de Observadores de Aves

Blog: Qual a importância dos clubes de observadores de aves? Conte-nos sobre o Clube de Observação de Aves de Bertioga, e sobre a atuação do Sesc São Paulo neste sentido.

MB: Nós ficamos muito felizes em perceber o envolvimento de muitas pessoas no COAB. Pois, além de auxiliar no conhecimento da nossa avifauna, podemos proporcionar momentos em que as pessoas se relacionam mais com os ambientes naturais, sendo essa uma das premissas educativas da instituição Sesc SP.

Blog: Quais os próximos passos em relação ao conhecimento da avifauna de Bertioga?

MB: Estamos buscando ampliar as localidades de estudos. Consideramos também firmar parcerias com outros grupos, instituições e pesquisadores, com o objetivo de conhecer ainda melhor a nossa avifauna.

Educação ambiental e Biodiversidade

Blog: Como os resultados dessa pesquisa podem fortalecer as ações de educação ambiental na Baixada Santista?

MB: Os resultados já são perceptíveis. Com essa pesquisa, a própria Secretaria de Turismo de Bertioga iniciou o fomento para impulsionar o turismo de observação e fotografia de aves. Há ainda o projeto de realizar uma votação pública, com caráter educativo, para a nomeação da ave símbolo da cidade. Nós esperamos que isto, de alguma forma, estimule outros municípios da Baixada a fomentar ações de educação ambiental com base no imenso patrimônio que é a diversidade biológica regional.

Blog: Qual a importância de se aprofundar no conhecimento e divulgação da biodiversidade na região?

MB: Conhecimento nunca é demais! Quanto mais soubermos, mais teremos argumentos e embasamento técnico para propor medidas de conservação nos diversos ambientes naturais. E essa importância tem um peso ainda maior pelo fato de a Baixada Santista estar 100% inserida no domínio da Mata Atlântica, que é um dos hotspots mundiais de biodiversidade.

Blog: Que mensagem você tem para os jovens interessados em observação de aves?

MB: Aproveitem a oportunidade de se conectar com a Natureza. Isso certamente vai lhes proporcionar um upgrade na vida. Não é preciso ser um grande conhecedor de nomes científicos e outros termos acadêmicos para ser um observador. Apenas a boa vontade de participar já é o suficiente. Clubes de observadores de aves não exigem grandes estruturas ou investimentos vultuosos. Minha sugestão aos entusiastas do tema é procurar pessoas com interesses semelhantes em sua região, e formar grupos de observação. Depois, quem sabe, teremos novos ornitólogos no futuro, dedicados em conhecer e conservar a riqueza inestimável representada pela nossa avifauna, e pelos biomas nos quais vivem as aves do nosso país.

O Artigo

Você pode ler e baixar o artigo original em:

BOKERMANN, Marcelo; PIVELLI, Sandra Regina Pardini. Avifauna de Bertioga – Inventários do Clube de Observação de Aves de BertiogaUnisanta BioScience, v. 8, n. 3, p. 218-249, 2019.

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