Como salvar o meio ambiente? Regras ou não ?

Responder em duas palavras como salvar o meio ambiente aparentemente seja tarefa impossível. No entanto, a ONU e outras agências globais parecem ter a resposta: posse da terra.

Há um investimento pesado ao redor do mundo. Apenas no Afeganistão, foram investidos 53 milhões pela Agencia Americana de Desenvolvimento (USAid) entre 2004 e 2009 nessa campanha. A ideia é simples, e se baseia em duas teorias já bem estabelecidas.

A primeira vem da teoria da tragédia dos comuns, do famigerado ecologista Garret Hardin. Imagine um rio em que todos pescam. Os moradores locais sempre irão buscar maximizar os lucros. Um sempre querendo pescar mais que o outro. Ao final, tanto o peixe como a economia local entram em colapso. A solução é privatizar a área e dar um pedaço do rio para cada um.

A segunda teoria vem de uma economista chamada Elinor Ostrom. Ela foi a primeira mulher a ganhar o prêmio Nobel da sua área. Ela disse que, no exemplo dos pescadores acima, em muitos casos, a coisa não funciona bem assim. Os pescadores criam regras para si mesmos, o que garante a preservação do meio ambiente e da economia local. Nesses casos, a solução seria dar um pedaço do rio para todos juntos, que eles iriam manejar utilizando os seus mecanismos tradicionais. Embora cada grupo ou comunidade de pescador teria o seu.

Em ambos os casos, a presença de regras é fundamental.

No entanto, há cerca de dois anos, uma nova teoria vem surgindo que tem abalado as estruturas, chamado de Open Property Regime. Encabeçado pelo Professor Mark Moritz, esse grupo tem dito que muitos locais que não tem regras, como no primeiro caso, levam ao uso sustentável, como previsto no segundo. Por essa teoria, a presença de nenhuma regra entre as comunidades seria a única maneira de preservar os recursos naturais e a economia local. Isso valeira principalmente para regiões onde o recurso é altamente imprevisível, e apenas para comunidades locais.

Alguns exemplos começaram a pipocar no mundo. No entanto, nem todos identificaram essa teoria de maneira maneira absoluta. No Pantanal, por exemplo, há alguns sinais de que isso possa ter algum nível de verdade. Mas em apenas em algumas épocas do ano ou escalas da paisagem. Enfim, a teoria parece ter captado algo que ainda não estava explicado. No entanto, ela precisa de mais um pouco de estudos e maturidade.

Para discutir sobre isso, fui convidado a ficar trancado na Escola de Estudos Avançados, localizado na cidade histórica de Santa Fé, no Novo México, nos EUA. Ali, a agência de pesquisa americana pagou para que nove pessoas ficassem pensando sobre isso sob o efeito de vinho e do “calor e frio” do deserto. Chegamos a diversas conclusões. A mais importante foi que deveríamos voltar logo para uma nova reunião.

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