De hambúrgueres e erros

Final do Masterchef, 23 de agosto de 2016. Leo Young vence a parada. Daí a pouco, ficamos sabendo do anúncio do lançamento da campanha de financiamento coletivo da Zebeléo, a hamburgueria de Young, Bel Pesce e Zé Soares.

… Um átimo depois, e… BUM! Uma bomba explode para a mais nova celebridade culinária do país. Mas pega mesmo em cheio em sua sócia, a Bel. A repercussão não poderia ter sido pior. Comecei a escutar um burburinho, mas não dei muita atenção. Quando o burburinho estava na boca de todos os empreendedores e empresários que conheço, para mim virou barulho, e quis saber mais.

Após os 38 centésimos de segundo que levou a minha googlada com o termo ‘bel pesce’, descobri que um monte de críticos e até mesmo empreendedores estavam descendo a lenha na “menina do Vale”, sem dó. Dos primeiros, não se deve esperar nada melhor, porque “críticos” são aquelas pessoas que não conseguiram fazer, mas levam a vida falando mal de quem faz; porém, confesso que ver outros empreendedores apontando o dedo me surpreendeu.

Primeiramente, deixo claro que não estou fazendo aqui qualquer defesa da Bel ou de seus sócios na hamburgueria. A minha surpresa vem do fato de que, durante toda a minha jornada empreendedora, sempre ouvi o mesmo mantra (que repeti no meu vídeo da semana passada): “ao empreender, você vai errar. E junto com esse, outros da mesma raiz: “erre, mas erre rápido”; “os erros são o motor da inovação”; “o erro é a única certeza do empreendedor”… e por aí vai.

Ora, Bel Pesce é empresária. E mesmo que não fosse, ainda assim teria o direito de errar. Agora, por que cargas d’água empreendedores (alguns dos quais eu admiro), teoricamente acostumados a uma vida de acertos em meio aos já famigerados erros com os quais têm de conviver, se aproveitaram de um momento de fragilidade para “queimar a bruxa na fogueira”? Será que eles mesmos não erram, nunca erraram? Nunquinha?

A nossa cultura aqui no Brasil despreza quem erra. Ou quem erra publicamente. Se for mulher então… nem se fala; o machismo pega pesado. Em algumas outras culturas, os erros são encarados de forma bem diferente: só erra quem está em campo, fazendo; então, se há erros no currículo, provavelmente há trabalho também. E, possivelmente, alguma dose de resiliência (falarei sobre isso mais pra frente aqui na coluna).

A Bruna Paese chegou a perguntar — em um artigo bastante agressivo no Medium — se Bel Pesce terá mesmo “aprendido a lição”. Vamos lá: entendi que o melhor jeito de se aprender no empreendedorismo é por meio dos erros. E que a forma mais barata de se fazer isso é aprender com os erros dos outros. Porque errar pode custar caro.

Se a Bel Pesce e seus parceiros de Zebeléo aprenderam a tal “lição”, isso é com eles. Cabe a quem quer se desenvolver profissionalmente observar, entender os pontos falhos, quais foram exatamente os erros, trazer para a própria vida e aprender com isso. Neste caso, com os erros dos outros. Mas poderia ser com erros próprios, também. Apontar o dedo não nos tornará melhores do que eles, nem melhores do que nós mesmos.

Parabéns para a Bel, que voltou um passo atrás no tabuleiro do jogo, reconheceu de cabeça erguida, e não jogou a culpa em ninguém. Se nestes parcos quatro anos de jornada empreendedora aprendi algo sobre o espírito dos empreendedores, é que normalmente eles voltam maiores e melhores de suas quedas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.