Regeneração Florestal: Deu no New York Times

Regeneração florestal - Foto Alexandre Uezu
Regeneração florestal: Promoção da conectividade entre fragmentos oferece caminho para reduzir a velocidade da extinção de espécies. Foto: Alexandre Uezu.
Adaptado do Site do IPÊ:

As florestas tropicais contêm mais de metade de todas as espécies de plantas e animais do mundo. Porém, são as que mais perdem biodiversidade, devido à redução de habitat e degradação florestal. Muitas dessas espécies da fauna e da flora tropicais mais ameaçadas estão restritas a somente cerca de 20 locais, em áreas dos trópicos, que já perderam mais de 70% do habitat original.

Regeneração florestal

Uma das metodologias para conter a extinção de espécies é a regeneração florestal conectando grandes fragmentos de habitat naturais. A prática é utilizada por mais de uma década pelo IPÊ na Mata Atlântica. Vale lembrar que esse bioma brasileiro abriga uma das mais ameaçadas florestas tropicais no mundo. Recentemente, o método foi avaliado como altamente eficaz para as aves. Esta foi a conclusão de um estudo liderado pela Universidade de Utah e publicado na revista PNAS (EUA). A pesquisa foi realizada nos seguintes locais:

  • Mata Atlântica Central do Estado do Rio de Janeiro (Brasil)
  • Mata Atlântica no Pontal do Paranapanema, Estado de São Paulo (Brasil)
  • Montanhas do Arco Oriental da Tanzânia

Os resultados mostraram que a regeneração florestal direcionada entre os maiores fragmentos mais próximos pode reduzir significativamente as taxas de extinção das espécies de aves.

Estes são dois dos hotspots de biodiversidade tropical mais fragmentados no mundo. Por isso, eles fornecem exemplos vitais do que pode ser conseguido para evitar extinções em todo o mundo. William Newmark, University of Utah

Todos os fragmentos perdem espécies, eventualmente. Mas o objetivo da conservação é adiar as extinções que poderiam acontecer em alguns anos ou décadas. Assim, os pesquisadores estimam que regenerar as florestas entre fragmentos maiores e mais próximos em 11 locais dos hotspots reconectaria aproximadamente:

  • 77% de todas as florestas restantes no Arco Oriental (Tanzânia)
  • 23% no Rio de Janeiro (RJ/Brasil), e
  • 33% no Pontal do Paranapanema (SP/Brasil)

Isso equivale a cerca de 8,1 mil hectares na Tanzânia, e 6,5 mil hectares na Mata Atlântica brasileira. A ação pode aumentar o tempo de vida das espécies de aves em até 56 vezes nessas áreas.

Velocidade no investimento

Clinton Jenkins, pesquisador do IPÊ e co-autor do estudo, alerta para a necessidade de rapidez em se promover a conectividade entre grandes fragmentos.

Existe uma urgência na regeneração de floresta entre fragmentos florestais o mais rápido possível para obter o máximo benefício. As primeiras extinções podem ocorrer em apenas sete anos, em média, a partir do desmatamento de uma área como a Mata Atlântica. Clinton N. Jenkins, IPÊ

Os pesquisadores estimaram o custo para se fazer a reconexão florestal com corredores de biodiversidade — que ligam um grande fragmento a outro. Para a Mata Atlântica, no centro do Rio de Janeiro e no Pontal do Paranapanema as cifras podem ser de de até 49 milhões de dólares. Nas Montanhas do Arco Oriental da Tanzânia, o investimento pode ser de até 21 milhões de dólares.

Isso poderia fornecer um dos maiores retornos do investimento para a conservação da biodiversidade em todo o mundo. Stuart Pimm, Duke University

Links importantes

William D. Newmark, Clinton N. Jenkins, Stuart L. Pimm, Phoebe B. McNeally, and John M. Halley. Targeted habitat restoration can reduce extinction rates in fragmented forestsPNAS 2017 : 1705834114v1-201705834.

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