Rua das flores… das pessoas… do belo

Rua das flores… das pessoas… do belo

Para chegar onde trabalho eu preciso percorrer poucos quarteirões, uma delícia de vantagem para quem mora em cidades pequenas, onde tudo é pertinho e todo mundo se conhece.

E conhece tão bem cada cantinho da cidade que as informações sobre os locais são apresentadas por percepções sociais, decodificadas de modo coletivo, e não por endereços geográficos propriamente ditos: “é do lado do IPÊ”, o que significa: fica na Rua Ricardo Fogarolli, na altura do número 387!

Ou, “é junto com a Salvador”, ou seja, fica entre a Rua Carlos Herling, onde se situa a Escola Salvador Munhoz, e a Rua Manoel Guirado Segura, onde estão algumas agências bancárias.

Isso é tão natural, incorporado e valorizado que, mesmo aprendendo corretamente os nomes das ruas e demais logradouros, de criança a idoso é assim que as informações são comunicadas, e facilmente todo mundo se acha no espaço, ou ajuda alguém a se achar.

É pelo olhar que se faz por cada canto que se passa, por cada canto que se convive, por cada canto que se guarda na memória e no coração, que informações e sentimentos acerca do ambiente ao nosso redor criam significados e pertencimentos para cada um de nós! Isso também é educação socioambiental!

Quem não se lembra com carinho da rua onde passou a infância brincando?

Do rio em que costumava nadar e pescar com os amigos e família?

Da árvore que conseguia escalar com rapidez e segurança para colher uma goiaba, uma manga ou simplesmente obter um olhar do alto da cidade?

É no nosso dia-a-dia, nas vivências experimentadas individual ou coletivamente, que a educação socioambiental se constrói, se vivencia, se consolida…

Foi assim que, caminhando para o trabalho, me chamaram a atenção os ipês roxo e rosa todos floridos, árvores simplesmente lindas, dando um colorido todo especial às ruas, praças e calçadas.

Belas de mais para me tirar um suspiro de alegria e me fazer parar por alguns segundos para apreciá-las, vislumbrá-las, fazer um registro fotográfico com meu celular para compartilhar com os amigos do whatsapp, e agradecer por ter tido a chance de ver e sentir tanta beleza nesse meu dia de trabalho tranquilo, mas já transformado pelo que pude ver, sentir e me inspirar, pelo curto caminho que percorri.

Já em minha mesa de trabalho, fiquei pensando, enquanto olhava a foto do ipê, o quanto é importante proporcionarmos atividades socioeducativas para crianças e adultos nos espaços livres e comunitários de nossas cidades! Como é transformador, marcante e inspirador! São coisas simples e baratas que podemos executar neste espaços públicos, e que podem ajudar o nosso meio a vir a ser um local mais amado, mais cuidado e mais respeitado. Isso é mais um exemplo de educação socioambiental!!!

Algo simples de impacto imensurável pode ser, por exemplo, um plantio de árvores — que pode ser feito junto com amigos, estudantes, moradores, ou todos juntos também — de ipês amarelo, branco, rosa ou roxo, ou uma quaresmeira, um jacarandá-mimoso ou, ainda, uma pata-de-vaca, todas espécies brasileiras, comuns às áreas de Mata Atlântica, de florações lindíssimas.

Essa pode uma das atitudes que vão frutificar e contagiar, seja a quem as praticou, seja a quem somente as árvores irão conquistar anos mais tarde com a beleza no ar…

Bom, preciso trabalhar! Semana que vem continuamos nossa conversa sobre como ajudar a embelezar nosso cantos favoritos!!!!

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