SIG, a diminuição das incertezas e a conservação da biodiversidade

Mesmo antes de nos darmos conta, o Sistema de Informações Geográficas — SIG já havia se entranhado em nossas vidas, nos guiando em muitas decisões que tomamos diariamente. É através dele que seguimos o caminho mais curto ou mais rápido para atravessarmos uma cidade como São Paulo… mesmo sem nunca termos estado antes na capital paulista.

Vem desse Sistema a informação que nos faz decidir se levamos o casaco, o guarda-chuva ou saímos de mãos livres de manhã para o trabalho. É ele que tem apoiado o uso de tratores autoguiados (que não necessitam de motoristas) em diversas produções agrícolas no campo. E já tem proporcionado, experimentalmente, o uso de automóveis autoguiados nas ruas das cidades. Ou seja, o SIG nos permite:

  • entendermos melhor o nosso mundo
  • diminuirmos as incertezas sobre nossas decisões (erramos menos!)
  • economizarmos tempo e dinheiro, e
  • anteciparmos o futuro que queremos ou devemos ter

Aplicações na conservação

Se o SIG é tão útil no nosso dia-a-dia, são também inúmeros os benefícios que pode proporcionar ao meio ambiente. Algumas aplicações ilustram como ele é fundamental para garantirmos a conservação da biodiversidade e dos recursos naturais.

O desmatamento é uma das maiores ameaças à biodiversidade. O monitoramento via sensoriamento remoto (uma das fontes de informação para o SIG) tem sido crucial para frear e até tentar reverter esse impacto antrópico. O monitoramento do desmatamento da Amazônia por imagens de satélite é o melhor exemplo disso. Em uma área tão vasta, com difíceis acessos, seria inviável fiscalizar por terra todas as ações de queima e derrubada da floresta. No entanto, através de programas conduzidos pelo INPE — Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, toda a Amazônia brasileira é monitorada através de alertas diários (Programa DETER). A vigilância visa a apontar rapidamente aos agentes de fiscalização onde concentrar o foco, inibindo as infrações ambientais naquele bioma. Além disso, as taxas de desmatamento são produzidas anualmente (Projeto PRODES), norteando políticas públicas para conservação da floresta. Neste exemplo, a geotecnologia estende o nosso olhar para onde a vista normalmente não alcança.

Planejamento da paisagem

Outra importante aplicação é o planejamento da paisagem. Imagine que temos recursos financeiros para restaurar 10 hectares de floresta nativa. Do ponto de vista da conservação biológica, onde seria mais efetivo posicionar essa floresta? O SIG nos permite espacializar os critérios ambientais, sociais e econômicos que consideramos importantes para tomar essa decisão (p. ex. proximidade de corpos d’água e de florestas com alto valor para conservação, declividade do terreno, distância de estradas, custo de oportunidade do uso do solo etc). Dessa forma, aumentamos a chance de que essa intervenção tenha o maior valor possível para a conservação da biodiversidade. Com isso, otimiza-se os escassos recursos disponíveis para a recomposição das vegetações nativas.

Pesquisa

Na produção científica, o SIG fornece a base para construirmos as perguntas e hipóteses sobre os fenômenos naturais que queremos estudar. Imagine que estamos interessados em pesquisar como a fragmentação influencia na perda de serviços ecossistêmicos, buscando responder especificamente: “a perda da qualidade da água é proporcional à diminuição da cobertura florestal, ou existe um limiar a partir do qual as perdas ocorrem de forma mais intensa?”.

O primeiro passo seria construirmos uma base de dados georreferenciada da região, com mapas de bacias hidrográficas, rede de drenagem, relevo e uso do solo. Este último, gerado a partir de imagens de satélite de alta resolução. Em seguida, calcularíamos métricas da paisagem que representassem essas alterações antrópicas do ambiente. Com base nessas informações, planejaríamos nossa coleta de dados (desenho amostral). Então, partiríamos para o campo, sendo orientados pelo uso do GPS, que guardaria os dados georreferenciados planejados. O SIG está presente nas diversas etapas do processo de produção de conhecimentos ambientais. Desde a concepção da ideia à coleta e análise de dados.

São incontáveis as aplicações do SIG na conservação da biodiversidade. Seu melhor aproveitamento depende exclusivamente do nosso conhecimento em operar as ferramentas e informações adequadas. Ajuda também a nossa capacidade criativa em pensar em novas aplicações e soluções para os desafios. Em se tratando das geotecnologias, em que parte das informações é captada do espaço, nem o céu é o limite.  

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